Passam por mim, sinto-lhes os passos...no ar a suas respirações e nem por isso uma palavra. Mas existem, são os outros. São gentes...gentes que cruzam o meu caminho e em mim deixaram o seu rasto.
Partes de mim, silêncios meus e até sombras de uma vida...

Um lugar, várias histórias e uma imensidão de palavras constituem a verdadeira essência das"Gentes" da minha terra.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Desejo



Invadiste os meus pensamentos e o meu corpo ficou tenso. O coração começou a palpitar de uma forma desconcertante...sinto-te!

Pedi ao tempo que corresse e que trouxesse, em breves segundos, o teu corpo para junto de mim. As minhas pernas voltaram a tremer e o tempo regressou à tentação.

Vi o teu corpo robusto e o teu rosto forte. Olhei o teu sorriso profundo e deixei-me deliciar pelos teus gestos. 

Os nossos olhares cruzaram-se e a minha boca quis beijar-te, quis tocar-te e sentir o teu desejo dentro de mim.

A minha respiração ofegante absorvida pelo tocar das tuas mãos. Tocaste o meu peito de forma invisível e acalmaste a ansiedade com um breve beijo.

Conseguia sentir-te sem que o teu corpo envolvesse o meu. Sentia os teus lábios sem que o teu rosto tivesse presente. Sentia o teu abraço em todas as noites vazias. 

Sofri a tua ausência.

Hoje adormeço contigo, sinto a tua presença em todos os momentos, mas desejo-te em todos os instantes.

Até breve!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

De regresso aos obstáculos



Olhei para trás...

Lá estava eu com o meu jeitinho rebelde. Palavras soltas, gritos de irreverência e gestos de uma agressividade que me estava intrínseca. Quis abraçar-me. Quis rever os discursos e os conselhos do passado. Quis ouvir com precisão as palavras sábias de todos os dias. Quis aprender com os castigos.

Voltei ao agora e revi-me no antigamente. Os mesmos olhares reprovadores, os mesmos gestos e novamente as escolhas...

Olharam-me e após alguns segundos de silêncio a palavra foi-me passada.

Desabafo...ideias soltas, frustrações escondidas e um desejo tímido de crescer.

Era a sua vez...cerrou os olhos e avaliou cada gesto meu. Os meus erros foram realçados e regressei ao passado. Senti-me novamente menina. Contive as lágrimas e ouvi com atenção as minhas falhas. Quis argumentar, mas cresci e reconheci que por mais justificações que desse nenhuma seria aceitável. Ouvi as minhas pulsações e quis fugir, mas paralisei o meu corpo e absorvi cada uma das suas palavras. Reconheci as falhas, mas em mim estava patente a mágoa de uma desilusão. Tentei sorrir para esconder a tristeza que me envolvia, mas estou ciente de ter transmitido a frustração.

Prometi corrigir as lacunas e controlar os impulsos, mas a incompreensão deixou a sua marca.

São estes momentos que nos abrem portas a uma nova visão. Percebemos o que é realmente importante e que por mais demonstrações de competências que tenhamos haverá sempre uns “mas”. Aprendemos que os outros estão longe de ter a mesma visão do mundo e que a valorização é um conceito altamente subjectivo. Mas apesar de tudo assumi um novo desafio, uma nova etapa e prometi a mim mesma que o caminho mais fácil nunca será a minha opção.

Respirei uma nova força e ergui o rosto, pois mais uma vez o “que magoa torna-me mais forte”.

Até breve!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Saudade...

Era o teu dia, mas não estiveste presente.

Reuni os possíveis para atenuar a dor da tua ausência, sem motivo para celebrar relembrámos, em silêncio, a tua presença.

Era o dia do teu aniversário, era o dia de comemoração de mais um ano de vida. E agora o que há para festejar? Nada. Partiste e contigo levaste uma imensidão de lembranças e de datas queridas.

Sinto a tua falta!

O teu sorriso, as tuas histórias, os nossos momentos, o teu afecto, a tua força e até a tua zanga com parte do mundo,...saudades de um alguém que em mim tatuou a experiência e a vontade de viver. Saudades!

Quis oferecer-te parte da minha nova vida e não tiveste tempo da desfrutar. Quis abraçar-te mais uma única vez mas não fui capaz. Quis lembrar-te dois anos depois e perdi marcas do teu rosto.

Perdoa-me por tentar esquecer a magoa de te ter perdido. Perdoa-me por tentar esconder as lágrimas da tua perda. Perdoa-me por me separar da parte de mim que morreu contigo. Perdoa-me!

Provavelmente nunca conseguirei ultrapassar o dia em que te vi partir, nunca conseguirem perceber a marca que me deixaste, mas contigo ganhei a força para suster a tristeza de não te voltar a ver.

Abreviei a dor do momento recordando tudo o que me envolve, suspirei e sorri-te...

Até breve!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Encontrei-te

Entre a multidão, entre os corpos gelados de uma noite fria, entre as vozes tímidas e as palmas desconsertadas, entre nós...

Ali estávamos, perante uma música que não nos aquecia e de uma voz  trémula sem força para nos manter perto.Mas entre músicas desconhecidas e letras do nosso tempo ouve um significado que me fez rodear tudo o que nos envolve. Senti a letra a cada palavra, mexi no tempo e recordei histórias dos nossos. 

Reconheci a minha imperfeição e tive medo, medo que o tempo nos traísse e que nos deixasse sós. Reconheci os erros do passado e relembrei caminhos assombrosos. Fechei os olhos e abracei-te, apertei o meu corpo contra teu e prometi em silêncio que jamais nos voltaríamos a perder. 




Até breve!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Desejo



Sinto a tua mão a percorrer o meu corpo, sinto o teu coração a bater bem perto do meu, sinto a tua respiração sussurrando palavras de desejo, sinto-te em cada suspiro.

O teu corpo aproxima-se do meu, não te consigo ver, mas os meus olhos desenham o teu rosto repleto de prazer...um beijo doce e o meu corpo treme de forma descontrolada. Quero-te!

O teu corpo aproxima-se e sinto necessidade do teu beijo, do teu ser. Em gestos de desejo e prazer percorremos caminhos desconhecidos e aprofundamos lugares de todos dias. Entre palavras e olhares ultrapassamos barreiras, entre sorrisos e abraços vencemos etapas. 

Último suspiro, um beijo e os nossos corpos separam-se para aproveitar cada uma das sensações do momento.

Fecho os olhos e ainda te sinto dentro de mim. Posso até adormecer, mas sei que ainda estamos longe do fim.

Até breve!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Contigo

Os meus braços envolvem-te em gestos invisíveis. A distância não me permite alcançar-te, mas insisto em te abraçar. Quero sentir-te perto de mim para que possa proteger-te e acalmar cada ferida desta dor que te consome.

Ouvi as tuas palavras e senti-me absorvida pela tua tristeza. Recordei os teus olhos húmidos por uma magoa que o tempo intensifica. Quis ser capaz de por palavras eliminar as cicatrizes de um amor controverso, de transformar o amargo de uma história num momento simples de apagar, de te dar o outro lado do tempo.

Senti-me incapaz por não aliviar a ansiedade que te move e mais incapaz por não impedir mais uma desilusão.

Mas apesar de tudo quero que saibas que acredito no sabor agridoce da vida e que cada momento coberto de sofrimento trás consigo mais um pedaço de experiência. Acredito que a vida intensifica a dor para darmos valor ao amor e não nos traí simplesmente. Tudo é fruto de um acaso, premeditado ou não, que nos encara e nos transforma. Tudo explica algo e transforma a tristeza do presente numa verdade lógica do futuro.

Ambas sabemos que amar não é fácil, mas também sabemos que o sofrimento não é um sentimento eterno desde que valha a pena lutar...

Uma música triste mas que reflecte uma coragem necessária...



Até breve!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Declaração



Quis dizer-te, por palavras, tudo aquilo que significas para mim, para ti, basicamente para nós...

Começar não é fácil, pois transcrever sentimentos e sensações é sempre um processo de introspecção bastante intenso. Recordar momentos, gestos, sorrisos e simples olhares é aprofundar o que de mais íntimo há em nós. Quis traçar uma linha condutora e percebi que os momentos difíceis foram totalmente cobertos pela magia de uma felicidade contagiante.

Dou por mim a olhar para o infinito e só consigo visualizar o teu rosto. Consigo tocar-te, sentir-te e retocar partes do teu rosto que não consigo ver. Conheço-te! Conheço o teu sorriso, conheço o teu olhar profundo, conheço a forma como te moves e a forma como falas. Em mim tenho o eco da tua voz pela manhã, os beijos ao acordar e os abraços ao deitar.

Posso até fechar os olhos, mas conheço o teu corpo e com a precisão necessária transformo-te numa escultura perfeita.

Podia passar horas a escrever-te e por mais linhas preenchidas não conseguiria traduzir tal sentimento.

Mas há algo que te quero contar. Algo que pode ser dito em poucas palavras, mas com o qual lidas dia após dia. Sabes o quanto sou complexa e filmada? Sabes o quanto dramatizo e realço? Sabes o quanto sou sensível e teimosa? Sabes o quanto sou desleixada e desastrada? Acho que sabes tudo isso...

Mas perdoa-me os momentos bipolares e os dramas de momento, perdoa-me as infantilidades de mulher e as responsabilidades de criança, perdoa-me o inesperado e o impulsivo. Perdoa-me por ser além do normal...

Há quem me chame louca ou simplesmente extrovertida, mas ambos sabemos a complexidade da menina que te acompanha. Sabemos que come silêncio ao jantar para em breves instantes destruir a sobremesa. Mas cá para nós, há forma mais intensa de viver? O incerto faz-nos lutar pelo certo, mas sem perder a adrenalina do complicado.

Somos amantes da vida e atletas do tempo. Construimos momentos com base na felicidade eterna, mas apoiados na realidade do fim. Vivemos o primeiro como último, mas com a certeza de no fim atingirmos a meta.

Somos nós...eternos e imperfeitos!

Até breve!

terça-feira, 31 de maio de 2011

???


Esforço-me, mas não consigo entender.

Por vezes olho para os outros e não consigo interpretar as suas atitudes, os seus gestos, os seus comportamentos. Não percebo simplesmente.

Dispo-me de alguma teimosia e observo com atenção. Fecho os olhos à minha impulsividade e escuto as palavras que apelam à compreensão. Mas não entendo.

Não percebo a insensibilidade humana, as birras de ocasião e o faz de conta. 

A cada dia que passa sinto que estou além da compreensão comum, que sou inevitavelmente um ser estranho e que a minha visão do mundo está totalmente distorcida aos olhos de outros. 

Estarei eu assim tão descontextualizada ou serei apenas mais uma miúda egoísta à procura da perfeição? 

Até breve!



segunda-feira, 30 de maio de 2011

Um suspiro...

Apenas cansada...

Cansada de procurar soluções para uma vida jovem cheia de peripécias,  cansada de delirar com pormenores que desaparecem em instantes, cansada de apostar em algo que o tempo confirma pouco promissor.

Mas ainda não me cansei de viver, de amar e acreditar que as coisas pequenas e que a felicidade, de todos os dias, nos alimenta e nos faz crescer.

Um dia acreditei que as histórias são feitas de momentos bons e de planos controlados. Hoje acredito que as grandes histórias são feitas de uma vida cheia de improvisos.

Respiro bem fundo e volto a ter novamente forças para viver simplesmente...

Até breve!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Um outro "Eu"



Era uma vez uma miúda, uma miúda que comigo partilha o tempo e o espaço, os momentos e os sonhos, mas nem sempre me acompanha nos desejos.

É uma rapariga animada e sorridente, pelos menos é assim que muitos a definem.

São muitas as vezes que a vejo sorrir à vida e a lutar por um desejo infinito de felicidade, mas há algo que não entendo nesta minha companheira.

Não percebo o medo que a envolve, nem os fantasmas que constrói dentro de si. Já tentei interpretar e definir as suas ansiedades, mas dou sempre por mim a discutir com um vazio de incertezas.

Sei que à sua volta construiu uma barreira, uma barreira assente em desilusões e frustrações contínuas. Sei que por trás do seu sorriso esconde, por vezes, uma auto-estima tímida e traída. Sei que receia a felicidade por achar que não a merece e desconfia do amor que se aproxima.

Foram tantas vezes que lhe pedi para não escrever argumentos dramáticos e realizar filmes complexos, mas nem sempre me deu ouvidos.

Mas ontem voltei a partilhar com ela lágrimas de uma dor que não se justifica, de um medo que não existe e de uma angustia que não se explica.

Depois de algumas palavras desconexas reconheceu que negar a felicidade por medo de amar demais seria loucura...sorrimos e tornamo-nos uma só.

Até breve!