Passam por mim, sinto-lhes os passos...no ar a suas respirações e nem por isso uma palavra. Mas existem, são os outros. São gentes...gentes que cruzam o meu caminho e em mim deixaram o seu rasto.
Partes de mim, silêncios meus e até sombras de uma vida...

Um lugar, várias histórias e uma imensidão de palavras constituem a verdadeira essência das"Gentes" da minha terra.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Segunda pela manhã...


Segunda-Feira...

O sol brilha, mas sinto o fresco matinal e não me consigo separar dos lençóis ainda quentes. Os olhos semicerrados e um corpo rijo sem forças para erguer qualquer um dos membros.

O despertador volta a tocar e não quero, mas as obrigações arrastam-me até à banheira.
Este é o dia em que não nos despedimos do fim-de-semana, nem ganhamos forças para enfrentar a semana. O sono apodera-se de nós e transforma-nos em almas deambulantes por entre as ruas que nos seguem até ao nosso destino.
Maldita segunda! Será? Que culpa terá este dia da semana na preguiça colectiva e na nostalgia de dois dias de descanso? Provavelmente nenhuma, se ela não existisse este peso recairia com toda a certeza sobre a terça-feira.
Divagações apenas...final do dia e ainda não me consegui recompor da malandrice do fim-de-semana.

Toda esta descrição do meu estado de empatia para chegar ao ponto alto de uma manhã agitada.

Após largar parte da preguiça em casa caminhei até ao trabalho. Apesar da moleza que me absorvia tentei ser breve, pois o relógio já me tinha ganho na corrida contra o tempo.

Gritos, berros, ofensas ferozes e um discurso grosseiro. Este foi o cenário que encontrei pelo caminho. Uma senhora de avançada idade diante de uma janela com um pau de vassoura e um homem de meia idade, na rua, com algum pelo na venta. Episódio caricato. A verdade é que algum tempo que não assistia a tal "peixeirada".
Sem me aperceber do assunto acelerei o passo, mas não consegui deixar de ouvir os adjectivos que eram lançados para o ar. O facto é que me senti espectadora contrariada de um cenário porno onde os alhos e bugalhos, as posições e os vários pontos do corpo foram utilizados para fantasias perversas. A determinada altura o senhor chamou a família da senhora para a conversa e fiquei perante uma orgia platónica até que a senhora parte para o sadomassoquismo.

Podem pensar que a minha mente é maldosa com uma pitada de sexo à mistura, mas garanto-vos que a discussão que presenciei tinha muito pouco de séria e muito de promiscua.

Depois de toda aquela algazarra não consegui perceber o que levou à discussão, mas uma coisa é certa ali estava muita tensão sexual reprimida. Fiquei com a certeza que os dois fechados num quarto faziam faisca e resolviam parte dos seus problemas.

Segui o meu caminho, mas não consegui tirar da cabeça aquela curta com direito a bola vermelha.
Até breve!

2 comentários:

LuisaSanheiro disse...

Não, não me importo nada, achei um grande elogio até. Obrigado #

Lyla disse...

Bom dia Luisa!

Gosto de partilhar uma boa escrita e boas histórias;)

Continua e espero que gostes de passsar por aqui;)